sexta-feira, 1 de abril de 2011

BEM QUE PODIA SER MENTIRA, MAS NÃO É! (Ou: O dia em que o Governador visitou a cidade apenas pra tomar café.)


“Alckmin promete de tudo, mas nada resolve”.
A frase estampou a capa de um jornal do Alto Tietê nesta sexta-feira, 1º de abril de 2011. O jornal em questão, bem que se diga, é bastante simpático ao Governo do Estado de São Paulo.
Mas apesar do 1º de abril ser um dia cultural e tradicionalmente dedicado à mentira, creio que o informativo local refletiu, em poucas palavras, o que se extraiu da passagem do Governador do Estado por Suzano.
Para ilustrar tal fato e de que forma ele atinge a população mais simples da cidade, me permitam contar dois pequenos episódios ocorridos esta semana.
Na quarta-feira, 30 de março, estava eu na feira noturna de Suzano quando encontrei a “Dona” Luiza, uma senhora simples, amiga da minha família, aposentada, com seus 70 anos declarados (parou nisso faz quatro anos), eleitora fiel do Maluf e que se diz arrependida até hoje por ter votado no Collor pra Presidente só por que achava ele um “pão”.
Dona Luiza me deu um abraço, um beijo e, me chamando de filho, disse com todo o entusiasmo do mundo que no dia seguinte iria ver o Governador do Estado inaugurar o Poupa Tempo em Suzano.
Ouvindo isso, tomando muito cuidado com as palavras, comecei a explicar para a Dona Luiza que o Governador não estaria em Suzano para inaugurar o Poupa Tempo, mas apenas para firmar um compromisso de recebimento da área para sua instalação. Até mesmo por que o local supostamente indicado para o equipamento público sequer possui condições, hoje, para recebe-lo. Como a Dona Luiza já tem alguma dificuldade para ouvir, tive que elevar um pouco o tom de minha voz, atraindo a atenção de terceiros e até alguns olhares meio “tortos” por parte daqueles que pensavam que eu estava brigando com a senhorinha.
Mal terminei de falar e passei a ouvir poucas e boas da Dona Luiza, que simplesmente não aceitou minhas ponderações. Pra piorar as coisas, passou pela rua da feira um caminhão de som de um político local anunciando a vinda do Governador de tal forma que, confesso, deixou até a mim confuso sobre a inauguração esperada pela minha amiga, jovem de outrora.
Ato contínuo, me despedi da encantadora senhora e continuei com minhas compras.
Hoje pela manhã, 1º de abril, indo para o trabalho, encontro novamente com Dona Luiza, dessa vez retornando da sua sessão de Lian Gong (pronuncia-se lian kun). A senhorinha chegou perto de mim, me deu um beijo e um abraço como de costume e toda tímida me pediu desculpas pelo seu comportamento na quarta-feira, quando da nossa conversa. Explicou que compareceu ao evento com o Governador e que viu, além do indigitado, vários vereadores, deputados, prefeitos e gente que, segundo ela, “não tinha nada que fazer lá”.
Mas quando perguntou a respeito do Poupa Tempo teve a infeliz resposta de que o equipamento, quiçá, estará funcionando somente em 2012.
Diante de tamanha desolação só me restou dar mais um abraço na Dona Luiza e falar bem pertinho pra que ela pudesse me ouvir com clareza: “Não se desculpe minha amiga, pois não cabe a senhora se envergonhar pelo “papelão” por outro prestado”.

terça-feira, 29 de março de 2011

MADRUGADA VAZIA

Esse negócio de debadescada é do balacobaco mesmo. É um desafio aos que hesitam diante da possibilidade de se expor, enfrentar seus fantasmas ou encarar sua história pessoal.

Dizem que dá azar passar debaixo de uma escada. Dizem também que 13 é o número do azar. Já pensou se fosse debadescada13? Era acessar e dar de cara com um Cavalo de Troia vitaminado.

Pra mostrar (e provar a mim mesmo) que não tenho medo do passado ou do ridículo, trago aqui uns versinhos de antanho (como diz o Zé Antonio Toledo), de minha modesta lavra, claro, cometidos (epa!) nos primórdios de minha juventude (sim, sim, fui jovem, jovenzinho, um dia, em priscas...). Peço apenas uma coisa: por favor, não riam na minha frente, nesta altura do campeonato as pessoas ficam sensíveis. Não custa, né? É pra prevenir... vai que...


MADRUGADA VAZIA


Caminha

Caminha

Caminha

Caminha e vem

minha amada

pra caminha


(Isso deve ser de 1964/5, num lembro, acabou meu fosfosol, e, à época, os versados nos versos e nas tendências literárias classificaram o poemeto como exemplar digno da Poesia Praxis, defendida por Mario Chammie. Se era, jamais conferi, embora pudesse ser (malemale) comparado à produção daquele movimento poético. Reitero: favor não rir na minha presença. Posso magoar...)




Ella Fitzgerald & Louis Armstrong e as margens do Rio Mississipi.

"Won't you come along with me to the Mississippi 
we'll take a boat to the land of dreams
Steam down the river, down to New Orleans.
Basin Street is the street where the best folks always meet."

Ella Fitzgerald e Louis Armstrong  cantaram "Basin Street Blues"  ( música de Williams e Spencer) e deram um outro nome para as margem do Rio Mississipi.

Nosso tempo, sem dúvida... prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser... O que é sagrado para ele, não passa de ilusão, pois a verdade está no profano. Ou seja, à medida que decresce a verdade a ilusão aumenta, e o sagrado cresce a seus olhos de forma que o cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado.




Feuerbach – Prefácio à segunda edição de A Essência do Cristianismo

O melhor de Fernando Pessoa ele mesmo

EPITÁFIO DE BARTOLOMEU DIAS

Jaz aqui, na pequena praia extrema,
O Capitão do Fim. Dobrado o Assombro,
O mar é o mesmo: já ninguém o tema!
Atlas, mostra alto o mundo no seu ombro.

Fernando Pessoa - Mensagem

Azar é pros outros

Debasdescada, sem medo de ter azar.

Como disse outro dia: "Ser advogado já me basta".

Tô em casa!

Ella Fitzgerald e Louis Armstrong

Parece que teremos uma frente fria hoje, mas Ella me mantera aquecido. Yeah Sachamo, that is it.